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Com o iPhone ele escapou da forca

Em todo o mundo, 50.000 pessoas estão criando aplicativos para o celular da Apple. Um dos programadores já faturou 1 milhão de dólares

Da revista Veja de 27 de maio de 2009.

Na Carolina do Norte, Estados Unidos, o programador Ethan Nicholas, de 30 anos, faturou 1 milhão de dólares em três meses. Em Sorocaba, no interior paulista, o analista de sistemas Renato Pessanha, de 33 anos, não chegou a ficar milionário, mas tampouco está reclamando – embolsou 10 000 dólares em quatro meses. Ambos tiveram sucesso num novo campo de negócios: criaram aplicativos para quem usa o iPhone. Aplicativos são programas simples, ferramentas que complementam e ampliam o uso do celular. Desde julho de 2008, milhares deles são comercializados, ou oferecidos de graça, na loja virtual da Apple, a App Store. E há um grande apetite por esse tipo de programa. Em dez meses, foi feito mais de 1 bilhão de downloads desses softwares somente da App Store. Pessanha é autor do Forca Brasil, o programa brasileiro mais vendido no site, com 15 000 downloads. Trata-se de uma versão em três línguas (português, inglês e espanhol) para o tradicional jogo de forca. Nicholas criou o iShoot, game com tanques de guerra que já foi baixado 3 milhões de vezes. Calcula-se que, atualmente, 50 000 pessoas, dos mais diversos países do mundo, tentem repetir o feito. “Antes do iShoot, eu nem conseguia pagar a hipoteca da casa”, disse o programador a VEJA.

O negócio de aplicativos para celulares não é novo. Existe há quase uma década. O site Handango vende mais de 140.000 programinhas desse tipo para BlackBerry, Palm e telefones de marcas como Samsung, Motorola, LG e Nokia. Boa parte dessas ferramentas tem por objetivo facilitar tarefas como abrir e-mails ou sincronizar calendários e agendas. O iPhone mudou as regras do jogo. Em meados do ano passado, a Apple lançou um kit de desenvolvimento de aplicativos. Ele pode ser baixado da internet, gratuitamente, por qualquer pessoa. Pessanha, do Forca Brasil, criou seu joguinho em menos de quatro dias, entre o Natal e o Ano-Novo de 2008. O kit conta com recursos que simplificam a produção de softwares, como uma biblioteca de códigos. Eles acionam automaticamente funções do telefone, como o acelerômetro (o sensor de movimentos do iPhone), ou configuram o sistema de GPS. Há ainda simuladores e exemplos de programas que servem como molde para novos aplicativos.

A consultoria britânica Juniper Research estima que, somente em 2008, a Apple tenha faturado 100 milhões de dólares com seus aplicativos. Ela fica com 30% do valor de venda de cada ferramenta. Mantido o ritmo atual, arrecadará 365 milhões de dólares até o fim de 2009. “Em toda a minha carreira, nunca vi nada semelhante”, disse, no início do ano, um animadíssimo Steve Jobs, o presidente da companhia. Não por acaso, toda a indústria está – mais uma vez – correndo atrás do padrão criado pela Apple. O Google, por exemplo, apresentou no fim de 2007 o Android, um sistema operacional para celulares. Ele é usado pelo aparelho G1, da taiwanesa HTC, mas ainda não está à venda no Brasil. Em outubro do ano passado, três meses depois da inauguração da App Store, o Google lançou a própria loja de aplicativos gratuitos. Começou a vendê-los em fevereiro deste ano. A criação de programas também é aberta a qualquer pessoa. Há uma única variação significativa no modelo de negócios. O Google não fica com nenhum tostão da venda. Repassa sua cota de 30% integralmente para as operadoras de celulares, como uma forma de estimular a adesão do Android por parte dessas companhias. Em dezembro, a Palm entrou no jogo. No mês passado, foi a vez da Research in Motion (RIM), que fabrica o BlackBerry. E a Nokia deve abrir nesta semana o seu serviço, com um cardápio inicial de 25 000 programas (a Apple tem 38.000). A Microsoft anunciou que não vai ficar fora do novo filão. “Esse mercado deve movimentar 25 bilhões de dólares em cinco anos”, disse a VEJA Windsor Holden, da Juniper Research.

Entre os aplicativos oferecidos pelas empresas, há itens bastante úteis. Dezenas trazem detalhes em tempo real do trânsito em cidades de todo o mundo. Outros ajudam a tomar decisões durante as compras. O ShopSavvy (utilizado no Google Android), por exemplo, compara o preço de produtos em 40 000 lojas americanas com base no código de barras de cada artigo. Existem programas voltados para públicos específicos. Os médicos, por exemplo, contam com listas de remédios, nas quais são detalhadas contraindicações e posologia. Não faltam também bobagens, ou até ideias infames, principalmente na lista dos aplicativos para iPhone. A Apple não divulga o total de downloads, mas o joguinho mais baixado no Brasil é o BubbleWrap. Grátis, ele reproduz embalagens com pequenas bolhas de ar que revestem produtos frágeis. O usuário do telefone pode “estourá-las” com um toque na tela. Recentemente, a Apple retirou de sua loja virtual o Baby Shaker, em que um bebê tinha de ser chacoalhado para parar de chorar. Ele foi considerado grosseiro. Outro programa banido pela companhia foi o I Am Rich (Eu Sou Rico). Ele exibia na tela um ícone com o desenho de um rubi e a mensagem: “Eu sou rico, mereço isso”. Custava 999,99 dólares. O mais surpreendente: saiu da App Store após oito vendas em 24 horas. Foi adquirido por seis americanos, um alemão e um francês.

Fonte: http://veja.abril.com.br/270509/p_162.shtml

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